
Estamos todos cientes de que o ritmo e as exigências da vida nas sociedades modernas actuais tem tido consequências boas e más a muitos níveis. A alimentação é um desses casos.
Reduz-se o tempo para a confecção, opta-se pela comida já preparada ou pré-preparada. Recorre-se mais a restaurantes, à comida rápida. Tudo porque há menos tempo para desempenhar essa tarefa.
Continua a ser a mulher/mãe a desempenhar esse papel (muito maioritariamente) e, ao ter entrado profundamente no mercado de trabalho, o seu tempo para essa actividade diminuiu.
Por outro lado, a publicidade, sob todas as formas, “bombardeia” o consumidor (passivo ou activo) com doces, guloseimas, alternativas que nos cativam com o sal e açúcar em excesso, contrapondo-se às recomendações constantes para que esses ingredientes sejam consumidos em baixa quantidade.
O mercado também mudou: hoje existem produtos alimentares disponíveis todo o ano, mesmo os produtos que antigamente eram apenas sazonais: congelam-se, criam-se em estufas, colhem-se verdes, acrescentam-se-lhes conservantes, importam-se, etc.
As crianças de hoje, especialmente as das cidades, comem mal. E não é por comerem pouco…
A “fartura” (variedade, acessibilidade) actual permite-lhes recusarem alimentos ou modos menos “apetitosos” de os confeccionar.
A falta de tempo dos adultos permite que as crianças comam com menos regras e menos variedade, muitas vezes sozinhas, em que os crescidos procuram nas constantes cedências alimentares compensar as suas ausências de presença e de afectos.
Para somar a estes factores, as “modas” das dietas afectam os adolescentes, vítimas por excelência das crises “idade da imagem” e o cansaço vence a cozinha…
Não se defende uma posição fundamentalista face às opções modernas, aos alimentos pré-confeccionados, à comida rápida.
Defende-se o bom senso, o equilíbrio e a melhor solução para comer-bem-sem-muito-tempo-para-cozinhar. Acreditamos que a tradição nos dá boas pistas, temperadas com as novas possibilidades do progresso.
Tudo tem o seu lugar na justa medida, sem excessos.
Discordamos das proibições totais (o fruto proibido é o mais apetecido) ou de hábitos desregrados aceites sem contestação que caem no extremo oposto (ciclo pizza-hamburguer-douradinhos).
Com algum esforço, pode-se tirar partido da existência do frigorífico, do micro-ondas, dos produtos congelados (de confiança).
Pode-se preparar comida com antecedência, elaborar ementas semanais (com a colaboração de todos), criar regras para o consumo de alguns alimentos em casa (e fora, se possível).
Em limite, podem-se “disfarçar” culinariamente alguns alimentos menos populares – em sopas, empadões, tartes, salgados, purés…
As mudanças na ementa podem ser acordadas por todos. Os membros da família podem ajudar a preparar as refeições, a escolhê-las, podem também ir às compras, seleccionar, dar sugestões. Podem partilhar tarefas e funções.
Em termos educativos, recuse-se o “não gosto disto” sistemático, muitas vezes fruto de imitação dos colegas de escola ou como meio pressão para forçar os pais a eliminarem da dieta o que é indesejado.
Combata-se também nos adultos: “se não gostas, come menos” – pois a educação é dar o exemplo e não se pode exigir a um filho que coma de tudo quando o pai recusa certos pratos…
Criem-se regras de provar sempre as coisas (novas), comer de tudo, mesmo que de algumas coisas se coma pouco. O gosto educa-se e é importante desenvolver aquilo a que popularmente se chama “ter boa boca”.
Comer melhor comendo aquilo de que se gosta é possível. Aprender a gostar de (quase) tudo, também.
Como se celebra hoje o dia mundial da alimentação, deixo-vos aqui umas dicas e maneiras para comerem melhor, bem como, a importância de alguns alimentos.
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