Atletismo 22-7-2007

28 07 2007

Modalidade tão pouco falada mas que tem trazido alegrias ao nosso Portugal. Mas nem por isso é altamente badalado como as transferências e resultados do futebol.

Em Madrid no dia 22 de Julho de 2007, Naide Gomes ultrapassou a mítica barreira dos 7 metros no Salto em Comprimento, “pulando” 7,01 metros ao quarto ensaio, melhorando desta forma o seu próprio record nacional. “Mais um sonho que se concretiza”, foram estas as primeiras palavras de Abreu Matos, Seleccionador Nacional de Atletismo e treinador da atleta sportinguista. Naide esteve absolutamente fantástica, perdendo apenas para a russa Campeã Olímpica, Tatiana Lebedeva, que venceu com 7,15 metros. Na altura do salto de Naide, o vento soprava favorável ao sentido da corrida a 2,0 m/s, o limite máximo que permite que o record possa ser homologado. A marca de Naide é a quarta melhor da corrente temporada, tendo à sua frente apenas 3 atletas russas: Lebedeva, Kolchanova e Simagina. Também fantástico esteve Nelson Évora, ao vencer o Triplo Salto e acrescentando 29 centímetros ao seu anterior record nacional. Nelson saltou 17,51 metros no sexto e último ensaio, numa altura em que o vento soprava favorável ao sentido da corrida a uma velocidade de 1,8 m/s. Também Francis Obikwelu, competiu em Madrid, vencendo os 100 metros em 10.37 (v: -2,3 m/s), depois de ter sido segundo na sua eliminatória com 10.40.

 

Outros portugueses em competição:

Rui Silva: 6º nos 800 m B – 1.47,43
Tiago Rodrigues: 5º nos 800 m C – 1.48,87
Maria do Carmo Tavares: 3ª nos 800 m B – 2.03,13
Hélio Gomes: 4º nos 1500 m B – 3.47,02
Adelino Monteiro: 5º nos 1500 m B – 3.47,02
Patrícia Lopes: 4ª nos 400 m barreiras B – 58,52





Dor já é o 5º sinal vital

28 07 2007

I – NORMA

Atendendo a que:

a) A Dor é um sintoma que acompanha, de forma transversal, a generalidade das situações patológicas que requerem cuidados de saúde.

b) O controlo eficaz da Dor é um dever dos profissionais de saúde, um direito dos doentes que dela padecem e um passo fundamental para a efectiva humanização das Unidades de Saúde.

c) Existem, actualmente, diversas técnicas que permitem, na grande maioria dos casos, um controlo eficaz da Dor.

d) Para além das Unidades já existentes, estão a criar-se novas Unidades de Tratamento da Dor, ao abrigo do consignado no Plano Nacional de Luta Contra a Dor.

e) O sucesso da estratégia terapêutica analgésica planeada depende da monitorização da Dor em todas as suas vertentes.

f) A avaliação e registo da intensidade da Dor, pelos profissionais de saúde, tem que ser feita de forma contínua e regular, à semelhança dos sinais vitais, de modo a optimizar a terapêutica, dar segurança à equipa prestadora de cuidados de saúde e melhorar a qualidade de vida do doente.

A Direcção-Geral da Saúde, no uso das suas competências técnico-normativas e depois de ouvida a Comissão de Acompanhamento do Plano Nacional de Luta Contra a Dor, institui, através da presente Circular, a “Dor como o 5º sinal vital”. Nestes termos, considera-se como norma de boa prática, no âmbito dos serviços prestadores de cuidados de saúde:

1. O registo sistemático da intensidade da Dor.

2. A utilização para mensuração da intensidade da Dor, de uma das seguintes escalas validadas internacionalmente: “Escala Visual Analógica” (convertida em escala numérica para efeitos de registo), “Escala Numérica”, “Escala Qualitativa” ou “Escala de Faces”.

3. A inclusão na folha de registo dos sinais e sintomas vitais, em uso nos serviços prestadores de cuidados de saúde, de espaço próprio para registo da intensidade da Dor.

II – REGRAS DE APLICAÇÃO DAS ESCALAS DE AVALIAÇÃO DA DOR

a) A avaliação da intensidade da Dor pode efectuar-se com recurso a qualquer das escalas propostas.

b) A intensidade da Dor é sempre a referida pelo doente.

c) À semelhança dos sinais vitais, a intensidade da Dor registada refere-se ao momento da sua colheita.

d) As escalas propostas aplicam-se a doentes conscientes e colaborantes, com idade superior a 3 anos. Existem, contudo, outros métodos de avaliação específicos, não incluídos na presente Circular, para doentes que não preencham estes critérios.

e) A escala utilizada, para um determinado doente, deve ser sempre a mesma.

f) Para uma correcta avaliação da intensidade da Dor é necessária a utilização de uma linguagem comum entre o profissional de saúde e o doente, que se traduz por uma padronização da escala a utilizar e pelo ensino prévio à sua utilização.

g) É fundamental que o profissional de saúde assegure que o doente compreenda, correctamente, o significado e utilização da escala utilizada.

*A Escala Visual Analógica consiste numa linha horizontal, ou vertical, com 10 centímetros de comprimento, que tem assinalada numa extremidade a classificação “Sem Dor” e, na outra, a classificação “Dor Máxima”. O doente terá que fazer uma cruz, ou um traço perpendicular à linha, no ponto que representa a intensidade da sua Dor. Há, por isso, uma equivalência entre a intensidade da Dor e a posição assinalada na linha recta. Mede-se, posteriormente e em centímetros, a distância entre o início da linha, que corresponde a zero e o local assinalado, obtendo-se, assim, uma classificação numérica que será assinalada na folha de registo.

*A Escala Numérica consiste numa régua dividida em onze partes iguais, numeradas sucessivamente de 0 a 10. Esta régua pode apresentar-se ao doente na horizontal ou na vertical. Pretende-se que o doente faça a equivalência entre a intensidade da sua Dor e uma classificação numérica, sendo que a 0 corresponde a classificação “Sem Dor” e a 10 a classificação “Dor Máxima” (Dor de intensidade máxima imaginável). A classificação numérica indicada pelo doente será assinalada na folha de registo.

*Na Escala Qualitativa solicita-se ao doente que classifique a intensidade da sua Dor de acordo com os seguintes adjectivos: “Sem Dor”, “Dor Ligeira”, “Dor Moderada”, “Dor Intensa” ou “Dor Máxima”. Estes adjectivos devem ser registados na folha de registo.

*Na Escala de Faces é solicitado ao doente que classifique a intensidade da sua Dor de acordo com a mímica representada em cada face desenhada, sendo que à expressão de felicidade corresponde a classificação “Sem Dor” e à expressão de máxima tristeza corresponde a classificação “Dor Máxima”. Regista-se o número equivalente à face seleccionada pelo doente.

III – FUNDAMENTAÇÃO

A Dor define-se como uma experiência multidimensional desagradável, que envolve não só a componente sensorial como uma componente emocional da pessoa que a sofre. Por outro lado a Dor associa-se, ou é descrita como associada, a uma lesão tecidular concreta ou potencial. Constata-se, assim, que existe uma grande variabilidade na percepção e expressão da Dor, face a uma mesma estimulação dolorosa. Se por um lado a Dor Aguda, como a dor pós-operatória ou a dor pós-traumática, é, habitualmente, limitada no tempo, a Dor Crónica, como a dor neuropática ou a lombalgia, é, muitas vezes, rebelde, permanecendo e levando a sequelas incapacitantes. No entanto, todos os tipos de Dor induzem sofrimento evitável, frequentemente intolerável, reflectindo-se negativamente na qualidade de vida dos doentes. Com a criação do Plano Nacional de Luta Contra a Dor, estão a desenvolver-se e a criar-se, por todo o País, Unidades de Tratamento de Dor, como recurso diferenciado para a abordagem da Dor. Importa, assim, que a Dor e os efeitos da sua terapêutica sejam valorizados e sistematicamente diagnosticados, avaliados e registados pelos profissionais de saúde, como norma de boa prática e como rotina, altamente humanizante, na abordagem das pessoas, de todas as idades, que sofram de Dor Aguda ou Dor Crónica, qualquer que seja a sua origem, elevando o registo da sua intensidade à categoria equiparada de sinal vital.





Grande negócio do Belmiro! 27-7-2007

28 07 2007

Hipermercados Carrefour vão operar com marca Continente – Os hipermercados Carrefour vão operar em Portugal sob a marca Continente, após a conclusão da operação de compra da cadeia francesa pela Sonae Distribuição. Negócio estimado em cerca de 662 milhões de euros;).





Selecções Sub-20 e sub-21. 27-7-2007

28 07 2007

José Couceiro foi demitido dos cargos que ocupava na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), deixando de ser o treinador das selecções sub-20 e sub-21. Rui Caçador irá assumir a função nos sub-20, mas para a equipa de sub-21 ainda não foi nomeado técnico. Certeza, porém, é que será português.No entanto o nome de Paulo Sousa foi, peremptoriamente descartado, por Gilberto Madail, que anunciou ainda que o treinador já não faz parte dos quadros da Federação. “Não está no nosso horizonte contratar Paulo Sousa para seleccionador dos sub-21. Aliás desde o dia 30 de Junho, dia em que terminou o seu contrato, que Paulo Sousa não faz parte dos quadros da Federação”, afirmou.
O nome do próximo técnico será conhecido, dentro em breve, até porque a equipa vai entrar num ciclo de preparação crucial, mas, segundo Gilberto Madail, o escolhido terá de, obrigatoriamente, concordar com a política de interacção entre a sua equipa e a selecção principal. “A selecção de sub-21 vai ter agora uma fase de apuramento para o Campeonato da Europa, já não vive na sombra e no caminho da selecção principal. A Federação entendeu, por isso, que deveríamos alterar a condução desta selecção”, justificou Gilberto Madail, destacando ainda que os maus resultados nas últimas competições motivaram a activação da cláusula de rescisão, mas também uma “reflexão” por parte dos elementos federativos. “Temos de encontrar uma nova filosofia para a formação”, disse.





O Mundo está LOUCO!!! 27-7-2007

28 07 2007

Foi ontem internada compulsivamente num hospital psiquiátrico de Lisboa a mulher que, na tarde de anteontem, lançou o filho, de 18 meses, da varanda do segundo andar onde viviam, em Linda-a-Velha, Oeiras. O JN apurou junto de fonte do Hospital de Santa Maria, em Lisboa – para onde o bebé foi levado após a queda -, que o menino se encontra clinicamente bem e que deveria ser, ainda ontem à tarde, transferido para o Hospital de São Francisco Xavier, a unidade de saúde da área de residência.
Na Rua da Quinta de Santo António, onde tudo aconteceu, o ambiente era ontem de incredulidade. Os moradores aproximavam-se do número 10, apontavam para a varanda e comentavam o sucedido. Fernando Boaventura Santos mora no prédio em frente e assistiu a tudo.
“Estava com o neto da vizinha do rés-do-chão e o menino foi a casa. Quando me voltei, olhei para cima e vi-a com o menino pendurado pelo braço direito, do lado de fora da varanda. Parecia um boneco! Atravessei a estrada e já o bebé vinha no ar quando gritei para a minha mulher que chamasse o 112. Quando ali cheguei apanhei-o do chão”, recorda. Não tem dúvidas de que foi “um milagre” o menino não ter caído em cima dos ferros que seguram as plantas.
E continua “Ele aterrou de rabo e a queda deve ter sido amortecida pela fralda. Mas depois bateu com a cabeça no chão. Apanhei-o com muito jeito e fui sentar-me no passeio à espera da ambulância, sem me mexer. Não tinha um fio de sangue e nunca chorou. Cheirava muito mal porque tinha a fralda suja e olhava para mim com uns olhos tão tristes, que metia dó…”, lembra.
O menino foi examinado e tratado no Hospital de Santa Maria. Os resultados revelaram não haver nada de preocupante com o seu estado de saúde. Segundo a médica Miroslava Gonçalves, directora do serviço de Cirurgia Pediátrica, a família estava referenciada e tinha acompanhamento do centro de apoio da área de residência, devido a problemas psiquiátricos da mãe. Facto ressalvado pelos vizinhos, que recordam o pai a passear o bebé no carrinho, mas pouca memória têm da mãe, de cerca de 30 anos.
“Ontem, ela encheu a banheira de tal maneira que a água corria pela parede que dá para a rua. E depois de ter largado o bebé foi para dentro de casa e só abriu a porta quando a polícia foi falar com ela”, diz Fernando Santos. Uma vizinha do prédio garante que ouviu o bebé chorar quase ininterruptamente desde sábado. “Já me disseram que devia ter chamado a polícia. Mas não o fiz porque já tive problemas com o pai da criança”, explicou.
O pai do menino está, segundo a vizinhança, desde há algum tempo a trabalhar longe de casa. Mas ontem de manhã apareceu na Rua da Quinta de Santo António. “Ouviu-me falar ao telefone com a minha irmã, sobre o bebé e perguntou-me ‘Que é que está para aí a dizer do meu filho?’. Mas depois expliquei-lhe o que se passou e ele disse ‘Ah, foi você que salvou o meu filho!’ e deu-me um abraço”, revela ainda o herói daquela rua.





Notícia Chocante 27-7-2007

28 07 2007

“Um impulso do momento” motivado por “ciúmes e inveja” do irmão mais novo, que via como o “preferido dos pais”. A explicação foi avançada ao JN por fonte policial para explicar as razões que levaram um rapaz de 17 anos a matar o seu irmão mais novo com múltiplas facas, em Caranguejeira, em Leiria. Ricardo Carreira, de 11 anos, foi ontem sepultado num cortejo de dor em que participaram muitas centenas de pessoas.
A mesma fonte sublinhou ao JN o facto de não haver suspeitas de que o crime tenha sido “premeditado”, ou seja, de que tenha sido planeado. O acto terá sido “um impulso do momento”, acrescenta. Nas horas que se seguiram ao crime, no entanto, o rapaz contou à polícia e aos familiares que o irmão teria sido morto por desconhecidos que o estariam a perseguir no pinhal. Mas acabou por confessar a autoria do crime e foi detido.
Ontem, o adolescente continuava preso na Prisão-Escola de Leiria, colocado numa camarata junto de alguns dos condenados mais velhos. A sua permanência ali será temporária, uma vez que o estabelecimento se destina, apenas, a reclusos condenados e não aos que se encontram na situação de prisão preventiva.
Na véspera, apurou o JN, o jovem terá sido levado ao Hospital de Santo André, onde foi observado numa consulta de psiquiatria. Os médicos terão aconselhado que não fosse deixado sozinho numa cela.
Vários colegas de escola do jovem juntaram-se, ontem, ao funeral do seu irmão. E garantiram nunca ter detectado nada no rapaz que indiciasse que seria capaz de um acto tão bárbaro. “Sempre foi muito pacato, incapaz de dizer palavrões e não arranjava conflitos com ninguém”, contou um dos amigos, sublinhando que “ainda ninguém acredita que fosse capaz de uma coisa destas”.
Ricardo foi ontem sepultado no cemitério de Caranguejeira. Durante as cerimónias fúnebres os jovens da freguesia prestaram-lhe a última homenagem. Pela voz de um dos seus amigos foi lida uma mensagem de despedida.
A receber acompanhamento psicológico, os pais eram ontem a imagem da desolação.
“Só Deus sabe o que estarão a sentir neste momento. Não perderam apenas um, mas os dois filhos”, afirmou Manuel Francisco, morador na freguesia e amigo da família.





Última hora – Hugo Viana (27-7-2007)

27 07 2007

O médio Hugo Viana teve alta hospitalar hoje, depois de ter sido operado ontem, em Valência, a fractura do quinto metatarso do pé direito, sofrida no sábado durante um treino ao serviço do seu novo clube (por empréstimo do Valencia), o Osasuna.

Segundo a informação facultada pelo clube navarro, o internacional português “foi para casa, onde vai permanecer 15 dias em repouso e a caminhar com a ajuda de muletas, sem colocar o pé lesionado no chão”.

O jogador deverá ficar arredado da competição entre três a quatro meses.

De notar que durante a operação a que foi submetido foi-lhe inserido um parafuso. Dentro de duas semanas, ser-lhe-á retirada a tala protectora do pé, altura em que será realizado novo exame radiológico para determinar o tipo de tratamento a seguir.





O que é a saude?

27 07 2007

Caros leitores, gostaria de lhes propôr um desafio bem simples, que na verdade se pode tornar complicado. Aqui vai: Opinem sobre o que é realmente o conceito saúde. Obrigado pela colaboração. Despeço-me com um abraço.





CORRENTES DE PENSAMENTO EM CIÊNCIAS DE ENFERMAGEM

27 07 2007

INTRODUÇÃO

Tal como noutras profissões, a evolução na enfermagem tem ocorrido em contextos vários de mudanças socioculturais, filosóficas, económicas, políticas e tecnológicas.

Da tecnicidade centrada na doença, no inicio deste século, passou-se para uma corrente de valorização da relação entre quem presta e quem recebe cuidados e para uma corrente orientada para o desenvolvimento moral. Os cursos de enfermagem de hoje procuram dar uma formação que permita aos enfermeiros conhecer melhor a pessoa e ter uma acção terapêutica a nível individual e familiar.

A imagem tradicional da “boa enfermeira” é assim, hoje, questionada pois a percepção que as enfermeiras tinham do seu papel foi posta em causa. Desde Nightingale que os cuidados de enfermagem se desenvolveram e melhoraram extraordinariamente e os enfermeiros sabem, cada vez mais, atribuir a si próprios a sua identidade profissional.

Apesar da tecnologia avançar, esta nunca poderá substituir a enfermeira uma vez que só ela poderá oferecer serviços que englobam todas as dimensões do ser humano.

Contrariamente ao contabilista ou ao engenheiro, para quem a pessoa do cliente não constitui o objecto directo da sua competência, para o enfermeiro é precisamente o ser humano em toda a sua força e vulnerabilidade que constitui o objecto da sua competência. Ser enfermeiro exige mais do que o simples saber (ele pode memorizar) e do que saber-fazer (os gestos podem tornar-se automáticos). O enfermeiro deve também desenvolver o seu saber-ser, tanto consigo próprio como com o cliente.

Se, por um lado, a evolução tecnológica tem apelado à valorização da vertente tecnicista, por outro, o aumento da esperança de vida, com o consequente envelhecimento da população e o prolongamento de situações incuráveis (doenças crónicas), tem evidenciado a necessidade de cuidados mais relacionados com a área afectiva e relacional.

Nas linhas seguintes iremos procurar, de forma breve, perspectivar a evolução verificada na prática dos cuidados e simultaneamente apresentar algumas correntes de pensamento que têm influenciado a forma de encarar a pessoa, a saúde, a doença e o ambiente, bem como a prestação dos cuidados.

 

EVOLUÇAO RECENTE

A busca da especificidade da enfermagem sempre atravessou duas vertentes essenciais: uma relacionada com a necessidade de um conhecimento e saber técnico e científico próprios; e a outra relacionada com a exigência de competências relacionais, tidas como essenciais – uma atitude de ajuda e substituição do utente (Henderson, 1969).

A medicina nos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX, com as descobertas da física e da química, passou a utilizar tecnologias mais complexas para diagnosticar e tratar as doenças. A concepção dos cuidados foi modificada e o médico passou a delegar tarefas de rotina na enfermeira – auxiliar do médico. Naquela época a enfermeira tinha como principal valor a obediência: servir os doentes, os médicos, a instituição. A par deste valor deveriam estar presentes a dedicação, zelo, espírito de sacrifício e caridade pelo doente (velar pelo doente, confortá-lo, consolá-lo), bem como dedicação e respeito pelo médico (detentor do saber, quem decide, controla e ordena). Não podia desenvolver qualquer espírito critico, nenhuma curiosidade, nenhuma interrogação (Collière, 1989). Esta perspectiva, que durou entre nós até final dos anos 60, procurava inculcar qualidades que garantissem uma obrigação moral ou dever de serviço fundamentados numa vocação, próxima da vocação religiosa, como nos diz Ribeiro (1995).

Com o avanço tecnológico da medicina emerge uma nova ideologia de profissionalismo, baseada na competência técnica, o que aconteceu entre nós na década de 70 e 80. O enfermeiro vai ter acesso a conhecimentos (de fonte médica) e ao desenvolvimento de capacidades técnicas. A tecnicidade passa a ser um objectivo da sua formação, uma forma de ter acesso ao conhecimento médico e uma compensação para a servidão dos cuidados aos doentes (Collière, 1989; Kérouac et al., 1996).

Esta valorização da vertente técnica surgiu em Portugal numa fase em que ocorreram alterações sociopolíticas que puseram em causa o conjunto de valores que tinham suportado a formação ético/moral dos enfermeiros até aí. Passou-se de uma abordagem tradicional de formação do carácter, identificada com uma vocação religiosa, para uma crítica e desvalorização dessa abordagem, mas sem encontrar um quadro de valores sólido que constituísse alternativa (Ribeiro, 1995).

Este período de reacção a um ensino tipo moralista constituiu-se um vazio perigoso ao admitir que se podia educar ou prestar cuidados de forma isenta. O enfermeiro devia preocupar-se apenas com verdades e factos, actuar de forma distante e sem se envolver, ser um técnico competente e suas acções serem neutras em relação aos valores (Ribeiro, 1998).

Esta formação assim recebida, deixava terreno livre para a influência do currículo oculto na escola e nos serviços: a forma como se organiza a formação, as relações que se estabelecem entre professores e estudantes, enfermeiros e utentes e entre membros da equipa de saúde, as metodologias, os conteúdos que se valorizam ou omitem, a orientação que se dá. Não se falando explicitamente em obediência, humildade, ordem ou submissão verificou-se que os enfermeiros continuaram a não tomar parte activa em decisões em que teria todo o sentido que o fizessem. A percepção quer dos utentes, quer no seio do grupo profissional e dos estudantes é que aos enfermeiros não cabia tomar decisões e, portanto, também não lhes deviam ser exigidas grandes responsabilidades.

Já no final dos anos 80, quer na formação quer na prática em enfermagem, começa a falar-se com mais insistência, mas de uma forma abstracta, de valores, deveres e direitos de enfermeiros e utentes. No entanto, pouco se fez para que fossem assumidos na prática do dia a dia quer da escola quer dos hospitais ou centros de saúde. Falava-se da necessidade de melhorar a qualidade dos cuidados de saúde sem que se fosse além da retórica. No entanto, falar de valores de forma abstracta, como por exemplo de humanização dos cuidados no hospital, de autonomia da enfermagem, ou de metodologias activas na escola, se não se traduzir em acções concretas e assumidas na prática de cuidados e na prática pedagógica, de nada serve como nos dizem Lourenço (1997) e Ribeiro (1998).

Na década de 90, com o aumento da complexidade das situações com que os enfermeiros e os estudantes de enfermagem se deparam, confrontando-os com dilemas de dificuldade crescente e que apelam a tomadas de decisão cada vez mais exigente, tem-se dado mais importância à formação para o desenvolvimento e aos valores que orientam a prática dos cuidados. Lourenço (1997) defende mesmo que a enfermeira mais desenvolvida é, em geral, a que está em melhores condições para respeitar os outros (utentes em especial) e para se respeitar a si própria.

Educar para os valores torna-se pois essencial no âmbito das profissões de ajuda e a enfermagem de hoje tem disso consciência. A escola além de educar para a inteligência e a razão, deve também educar, como nos diz Lourenço (1997), para o afecto, a cidadania e a emoção, os chamados três “CC”: Care, concern and connection. Os três “CC” são especialmente relevantes no âmbito da enfermagem e dos valores.

Foi também nesta década de 90 que, entre nós, surgiu grande produção teórica em enfermagem no que respeita ao esforço para autonomizar a profissão e que as várias teorias e modelos de acção e da práticas dos cuidados foram analisadas e aprofundadas.

Com o D.L. n.º 191/96 de 4/9 foi publicado o Regulamento do Exercício Profissional dos Enfermeiros (REPE), que veio reforçar a oportunidade dos enfermeiros se debruçarem sobre o lugar dos valores, da ética e do desenvolvimento na prática de cuidados e na educação em enfermagem.

No REPE afloram-se questões que têm a ver com a ética na prática de enfermagem. No seu número 1 do artigo 8º pode ler-se: no exercício das suas funções, os enfermeiros deverão adoptar uma conduta responsável e ética e actuar no respeito pelos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos”.

A publicação do REPE iniciou um novo ciclo na profissão de enfermagem que aponta claramente para princípios de actuação que encontram o seu fundamento numa moral de cooperação e respeito mútuos, baseada na igualdade, na reciprocidade, nas relações humanas e no acordo ou contratos sociais

Com a criação da Ordem dos Enfermeiros (Lei nº 104/98 de 21 de Abril) foram estabelecidas condições para a consolidação da autonomia responsável da profissão de enfermagem. Entre as atribuições desta, destacam-se: promover a defesa da qualidade dos cuidados de enfermagem; regulamentar e controlar o exercício da profissão de enfermeiro e assegurar o cumprimento das regras de ética e deontologia profissional.

O enfermeiro de hoje tem criadas as condições para que o desenvolvimento da profissão deixe de estar assente numa moral baseada na exigência unilateral, de serviço, de dever, de prepotência, de autoritarismo e de desrespeito pela opinião do utente em tudo o que lhe diz respeito.

 

 

ALGUMAS CONCEPÇÕES DE ENFERMAGEM

 

A necessidade dos enfermeiros em clarificar a especificidade dos serviços que prestam à comunidade, tem motivado os teóricos de enfermagem a elaborar modelos conceptuais para sua profissão (Kérouac et al., 1996). Esses modelos conceptuais orientam não só a prática da enfermeira, proporcionando uma descrição, por exemplo, da meta que ela persegue ou das actividades de cuidados, mas também servem de guia para a formação, investigação e gestão dos cuidados de enfermagem. Servem para precisar os elementos essenciais da formação dos enfermeiros, os fenómenos de interesse para a investigação em enfermagem, assim como as actividades de cuidados e as consequências que destas se esperam para a gestão dos cuidados.

Precursores para a elaboração de teorias em ciências de enfermagem, os modelos conceptuais oferecem uma perspectiva única a partir da qual os enfermeiros podem desenvolver os conhecimentos que sirvam para a sua prática (Fawcet, citado por Kérouac et al., 1996). Modelo conceptual é, portanto, uma imagem mental, uma maneira de representar a realidade, isto é, uma maneira de conceber a profissão (Adam, 1994).

Existem vários modelos conceptuais em enfermagem. De Nightingale a Parse (1992) um longo caminho se percorreu e surgiram várias concepções da disciplina de enfermagem.

Kérouac et al. (1996) estudaram a evolução das escolas de pensamento em enfermagem verificando que a sua evolução tem a ver com a predominância das ideias e valores inerentes a uma determinada época, podendo actualmente co-existir ideias de diversos paradigmas, aqui entendidos como um conjunto de crenças, de valores, de leis, de princípios, de metodologias e respectivas formas de aplicação. Os autores consideram que a disciplina de enfermagem, enquanto tal, passou por três paradigmas a que eles atribuíram a seguinte nomenclatura: categorização, integração e transformação.

 

 

1 – Paradigma da Categorização

Este paradigma da categorização caracteriza-se por perspectivar os fenómenos de modo isolado, não inserido no seu contexto, e por os entender dotados de propriedades definíveis e mensuráveis. O pensamento está orientado no sentido da procura de um factor causal para as doenças e da associação entre esse factor e uma determinada doença ou quadro sintomatológico característico. Estas manifestações, por sua vez, possuem características bem definidas, mensuráveis e categorizáveis.

A preocupação predominante é com o órgão afectado, com o diagnóstico médico, o tratamento e a cura. A pessoa é apresentada de modo fraccionado, não integrado e o ambiente é algo separado da pessoa e fragmentado em social, físico e cultural (Kérouac et al. 1996). A pessoa e o ambiente aprecem assim como duas entidades distintas e separadas.

Este paradigma poderá localizar-se ainda no século XIX, altura em que começaram a identificar alguns agentes patogénicos e se estabeleceu a sua relação com algumas doenças.

Neste paradigma é possível identificar duas orientações diferentes na enfermagem. A primeira é uma orientação para a saúde pública com medidas de higiene e salubridade em geral. A segunda orienta-se para a doença em que a pessoa é entendida como um todo formado pela soma das suas partes, que são separadas e identificáveis. A saúde é entendida como um estado de equilíbrio, altamente desejável e sinónimo de ausência de doença. Poder-se-á situar aqui o início da medicina técnico-científica, sendo que o seu objectivo passou a ser estudar a causa da doença, formular um diagnóstico preciso e propor um tratamento específico (Allan e Hall, 1988).

Verificou-se uma marcada evolução científico-tecnológica que permitiu à medicina alargar os seus horizontes e a dispor de tecnologias cada vez mais sofisticadas, quer para diagnosticar quer para tratar. Nessa altura os médicos começaram a delegar tarefas de rotina que era costume praticarem, para a responsabilidade das enfermeiras. Os cuidados são dirigidos para os problemas, limitações ou incapacidades das pessoas. O sistema de prestação de cuidados fundamenta-se na especialização de tarefas: cada enfermeira era responsável pela prestação de um determinado cuidado a todos os doentes da enfermaria (ex. higiene nos leitos, terapêutica). Até há bem pouco tempo era este o sistema em que se trabalhava em Portugal e esta situação ainda se verifica em alguns locais.

 

2 – Paradigma da Integração

Este paradigma começa já a perspectivar os fenómenos como multidimensionais e os acontecimentos como contextuais. São valorizados tanto os dados objectivos quanto os subjectivos .

Este paradigma influenciou a orientação da enfermagem para a pessoa. Surge nos Estados Unidos nos anos 50, no pós 2ª Guerra, onde havia elevado número de pessoas com carências de vária ordem. Verificou-se também um desenvolvimento notável das ciências sociais e humanas com a contribuição de Adler sobre a psicologia individual, de Rogers sobre a terapia centrada no cliente, e de Maslow sobre a motivação. Todas elas alertavam para “um reconhecimento da importância do ser humano no seio da sociedade” (Kérouac et al., 1996:10).

Neste contexto os cuidados de enfermagem tinham como objectivo a manutenção da saúde da pessoa em todas as suas dimensões. A enfermeira era responsável pela avaliação das necessidades de ajuda à pessoa tendo em conta a sua globalidade. A partir daqui, intervir significa agir com” a pessoa, com o objectivo de responder às suas necessidades. A pessoa passou a ser entendida como um todo formado por partes em interacção, tendo surgido a expressão “a pessoa como ser bio-psico-socio-culturo-espiritual”.

Saúde e doença passaram a ser perspectivadas como entidades distintas que coexistem e que estão em interacção dinâmica. A maioria das concepções de enfermagem foram criadas a partir da orientação para a pessoa. Surgiram durante este período os primeiros modelos conceptuais para precisar a prática dos cuidados de enfermagem e para orientar a formação e a investigação (Kérouac et al., 1996).

 

3 – Paradigma da Transformação

Este paradigma perspectiva os fenómenos como únicos mas em interacção com tudo o que os rodeia. As mudanças ocorrem por estádios de organização e de desorganização, mas sempre para níveis de organização superior (Newman, 1992). Isto é “um fenómeno único no sentido em que ele não pode jamais parecer-se totalmente com outro. Alguns apresentam algumas semelhanças, mas nenhum se parece completamente. Cada fenómeno pode ser definido por uma estrutura, um padrão único; é uma unidade global em interacção recíproca e simultânea com uma unidade global maior, o mundo que o rodeia” (Kérouac et al., 1996:13).

O início deste paradigma deu-se nos anos 70 e representa a base de uma abertura das ciências de enfermagem sobre o mundo. Engloba autores como Watson (1988), Rogers (1989, 1992), Newman (1992) e Parse (1992).

É neste contexto que em 1978 ocorre a Conferência Internacional sobre os Cuidados de Saúde Primários e a OMS elabora a célebre declaração de Alma Ata (1978). Nela se propõe um sistema de cuidados baseados numa filosofia em que “os homens têm o direito e o dever de participar individual e colectivamente no planeamento e na implementação de medidas de protecção sanitária que lhes são destinadas”. É reconhecida ás pessoas a capacidade e a possibilidade de serem agentes e parceiros nas decisões de saúde que lhes dizem respeito e que inicialmente eram de única e exclusiva responsabilidade dos técnicos de saúde.

A pessoa é considerada um ser único maior do que as somas das suas partes, com múltiplas dimensões e indissociável do seu universo. A saúde é concebida como um valor e uma experiência vivida segundo a perspectiva de cada pessoa e englobando a unidade “ser humanoambiente e não é um estado estável ou uma ausência de doença.

Uma das teorias que, entre outras, influenciou e contribuiu para esta visão foi a teoria geral dos sistemas desenvolvida por Von Bartalanffy (Moigne, 1977). Esta teoria encara o ser humano como um sistema composto por vários sub-sistemas em interacção permanente e sistemática. Neste jogo de interacções qualquer fenómeno considerado deixa de se poder apontar como ponto de partida ou de chegada.

Nesta perspectiva, os cuidados de enfermagem visam manter o bem estar tal como a pessoa o define. Intervir significa “ser com” a pessoa, acompanhando-a nas suas experiências de saúde, no seu ritmo e segundo o caminho que ela própria escolher. A enfermeira e a pessoa são parceiros nos cuidados individualizados (Kérouac et al., 1996).

A pessoa é colocada acima da instituição e a enfermeira assume-se como advogada do utente posicionando-se ao seu lado. A enfermeira ao garantir todos os cuidados requeridos por uma pessoa, corresponsabiliza-se com ela no processo de cuidados. O processo inter-relacional entre a enfermeira e o utente ganha assim o seu verdadeiro significado.





Ajude a AJUDAR os ANIMAIS!

27 07 2007

 ABRA – ASSOCIAÇÃO BRACARENSE AMIGOS DOS ANIMAIS

A ABRA é uma associação sem fins lucrativos formada em Braga, em Março de 2005. A sua preocupação são os animais da nossa cidade que conheceram o lado errado da vida.

O seu grande objectivo é ajudar o canil municipal no intuito de arranjar o maior número de adopções para os animais abandonados ou dados pelos donos para abate e minimizar o seu sofrimento. Realiza este trabalho (em regime de voluntariado) com o canil desde Abril de 2005.

Antes todos os cães e gatos do canil iam para abate.

Todos os dias uma equipa de voluntários vai ao canil para dar carinho, passear e tratar dos animais lá residentes (levando ao veterinário aqueles que estão doentes ou maltratados mas com potencial de adopção) e atender possíveis adoptantes.

Neste tempo a Associação conseguiu que muitos cães e gatos fossem salvos (em Fevereiro de 2007 contabilizava-se à volta de 1000 cães e 150 gatos).
Para isso muito contribuem as campanhas periódicas que fazemos, em sítios estratégicos da cidade.

Mas muitos mais há para salvar!…

O lema da ABRA é “não compre, adopte e salve uma vida”.

A associação tem um protocolo de cooperação com os Bombeiros Voluntários de Braga no sentido de socorrer animais em situação de risco, em que os maus tratos levam a atentados à saúde pública. Já foram desenvolvidas algumas acções conjuntas.

A próxima missão da ABRA é promover, junto das escolas do nosso concelho, campanhas de sensibilização para a problemática do abandono e maus tratos dos animais de estimação.

Se desejar pode contribuir nesta missão, tornando-se sócio, voluntário, FAT (Família de Acolhimento Temporário) ou adoptante, ou fazer donativos monetários ou outros (aceitamos comida e cobertores velhos para os canídeos do canil)!





Clone da Shakira

27 07 2007

Se isto é a “verdadeira” Shakira, não queiram ver a Lili Caneças





Charada (muito difícil)…mas atrevam-se a resolver

27 07 2007

Charada de Einstein

No final do século passado, Enstein propôs um problema que, segundo ele, 98% (!) das pessoas não seriam capazes de resolver.

Há cinco casas de diferentes cores . Em cada casa mora uma pessoa de uma diferente nacionalidade. Os cinco proprietários bebem diferentes bebidas, fumam diferentes tipos de cigarros e têm diferentes animais de estimação. A questão é quem tem um peixe?

  1. O inglês vive na casa vermelha.
  2. O sueco tem cachorros.
  3. O Dinamarquês bebe chã.
  4. A casa verde fica à esquerda da casa branca.
  5. O dono da casa verde bebe café.
  6. O homem que fuma Pau Mali cria pássaros.
  7. O dono da casa amarela fuma Dunhill.
  8. O dono da casa do centro bebe leite.
  9. O norueguês vive na primeira casa.
  10. O homem que fuma Blends vive ao lado do que tem gatos.
  11. O homem que cria cavalos vive ao lado do que fuma Dunhill.
  12. O homem que fuma Bluemaster bebe cerveja.
  13. O alemão fuma Prince.
  14. O norueguês vive ao lado da casa azul.
  15. O homem que fuma Blends é vizinho do que bebe água.